Como Ser Rico (Netflix): o que a série de Ramit Sethi ensina sobre dinheiro
Por Sergio Monteiro Jr., Planejador Financeiro Pessoal e Familiar, CFP® (Planejar) · CEA (Anbima) · Especialista em Seguros de Vida e Previdência (Susep)
Publicado originalmente em · Atualizado em
“Como Ser Rico” — no original, How to Get Rich — é a série de Ramit Sethi que estreou na Netflix em 2023, baseada no livro dele, I Will Teach You to Be Rich. Em oito episódios, Ramit acompanha pessoas reais com situações financeiras bem diferentes e ajuda cada uma a organizar a vida financeira a partir dos próprios objetivos.
Com episódios curtos e didáticos, a série traz ideias práticas sobre poupar, investir, sair das dívidas e até negociar um aumento. A linguagem é simples e direta, o que torna o assunto acessível para quem não é da área — uma das maiores qualidades do programa é apresentar ideias complexas de forma descomplicada.
O que mais me marcou (e uso no planejamento)
Assistindo com olhar de quem faz planejamento financeiro todos os dias, três ideias se destacam:
- A “vida rica” é pessoal. Não existe um único modelo de sucesso financeiro. Ramit insiste que cada um precisa definir o que é uma vida rica para si — viajar, ter tempo, estudar, cuidar da família — e organizar o dinheiro em torno disso. No planejamento, é exatamente por aí que começo: pelos objetivos, não pelos produtos.
- Gaste com o que ama, corte sem dó no resto. Em vez de sofrer com cada cafezinho, ele defende cortar com firmeza o que não importa e gastar tranquilo no que traz felicidade de verdade. Isso só funciona com um orçamento consciente, em que cada real tem um destino.
- Foque nas grandes decisões. As escolhas que mudam o jogo são as de maior valor — moradia, carro, taxas de investimento, renda — não os pequenos gastos do dia a dia. Acertar as grandes alavancas pesa muito mais no longo prazo.
O plano de gastos consciente (a fórmula do livro)
A série e o livro de Ramit se apoiam num modelo simples para dividir a renda que sobra depois dos impostos — o Conscious Spending Plan. Em vez de controlar centavo a centavo, a ideia é dar um destino a cada faixa do dinheiro:
- Custos fixos (50–60%): moradia, contas, transporte, mercado, parcelas.
- Investimentos (10%): o que vai para o futuro, de forma automática.
- Objetivos de curto e médio prazo (5–10%): reserva de emergência, viagens, trocas, presentes.
- Gastos sem culpa (20–35%): o que você gasta com prazer, sem remorso.
No Brasil, a lógica é a mesma — só muda a “embalagem”: no lugar dos produtos americanos (401k, Roth IRA), entram o Tesouro Direto, os fundos, a previdência privada e a reserva de emergência. Os percentuais são um ponto de partida, não uma regra fixa: ajuste à sua realidade.
Dá para aplicar no Brasil?
Em boa parte, sim — os princípios são universais. Automatizar os aportes (separar o investimento assim que o salário cai), montar um plano de gastos consciente e priorizar as grandes decisões valem em qualquer lugar. O que muda é o “como”: aqui temos nossos próprios produtos, tributação e taxas de juros, então a execução precisa ser adaptada à nossa realidade — e é aí que entra um bom planejamento.
Vale um aviso de quem trabalha com isso aqui: boa parte dos exemplos da série é montada para os Estados Unidos. Cartões com “pontos”, contas de aposentadoria com benefício fiscal específico (401k, Roth IRA) e o funcionamento do crédito por lá não se aplicam do mesmo jeito ao Brasil. O que viaja bem é a parte comportamental — definir a sua vida rica, automatizar aportes e focar nas grandes decisões.
Um ponto em que a série é firme e que combina com o que vejo na prática: o poder do tempo e da consistência. Investir um valor constante, todo mês, sem interromper, costuma vencer tentativas espertas de “acertar o melhor momento”. Se quiser ver esse efeito nos números, experimente a calculadora de juros compostos e simule a sua independência financeira.
Vale a pena assistir?
Para mim, vale. “Como Ser Rico” é uma boa porta de entrada para educação financeira: episódios curtos, exemplos reais e uma mensagem central saudável — dinheiro é meio, não fim. Não espere fórmulas mágicas nem recomendações de investimento (não é esse o objetivo, nem o desta resenha): o valor está na mudança de mentalidade e nos hábitos.
Perguntas frequentes
A série ensina a investir? Não em detalhe, e nem é a proposta. Ela trabalha mais a mentalidade, os hábitos e a organização do que a escolha de produtos.
Serve para quem está endividado? Sim. Um dos episódios trata justamente de sair das dívidas, e a lógica de priorizar e organizar o orçamento funciona bem como ponto de partida.
Preciso ter lido o livro antes? Não. A série funciona sozinha. Se gostar, o livro I Will Teach You to Be Rich aprofunda o método.
Tem em português? Sim, está no catálogo da Netflix no Brasil, com legendas em português.
Este conteúdo é educativo e reflete a minha leitura da série; não constitui recomendação de investimento.
Conteúdo educativo. Não constitui recomendação de investimento nem consultoria financeira individualizada. As decisões são de responsabilidade de quem as toma.